Coleção de Aves: Como contar essa história?
Por Mariane Passos e Carla Gonçalves
O Centro de Biodiversidade Subtropical (CBS), está situado no Campus Carreiros da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). O CBS foi projetado para abrigar as diversas coleções biológicas presentes na universidade. Uma destas coleções, que já está estabelecida no centro, é a Coleção de Aves (CAFURG) do Laboratório de Aves Aquáticas e Tartarugas Marinhas (LAATM). Entrevistamos o técnico de laboratório (TAE) Leonardo Furlanetto, servidor da FURG desde 2016. Ele atua na matéria de Ecologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), junto às atividades relacionadas à ecologia de aves.
A Coleção de Aves foi iniciada no final da década de 70 pelo professor Carolus Vooren do Instituto de Oceanografia, e após sua aposentadoria foi transferida para a tutela do professor Leandro Bugoni do ICB. Atualmente a coleção possui mais de 2.500 itens, entre amostras de tecido, esqueleto e carcaças de mais de 370 espécies de aves, com exemplares não apenas regionais, mas de diversos lugares do Brasil. A coleção é armazenada em ambiente climatizado, controlado e em armários específicos para esse tipo de material, a fim de evitar problemas com traças, umidade e mofo nos exemplares, o que faz com que seja delicado o processo de exposição das peças. Por esse motivo, não é uma coleção aberta à visitação, sendo permitida a visitação apenas para consultas com fins acadêmicos e de pesquisa.
No final da entrevista ao ser questionado sobre qual item de trabalho ele preservaria se o ensino e pesquisa em ciências mudasse radicalmente, o técnico Leonardo responde que manteria o giz ou a caneta: “A gente cada vez mais tem usado o argumento que o digital nos aproxima, mas ele nos afasta completamente. As pessoas fogem do assistir às aulas, se esquivam de escrever um texto, de estudar com uma caneta e um papel na mão, em virtude dessa grande transformação que a gente vê como uma mudança positiva, mas eu acho que em termos de formação profissional, interação social e todo um outro contexto, a gente tem digitalizado cada vez mais e afastado as pessoas”.

